Reprodução de silêncios canônicos: uma releitura de Habermas no contexto da escravidão e do tráfico de pessoas escravizadas
As discussões recentes sobre a “descolonização” da produção de conhecimento destacam a importância de centralizar perspectivas “das margens” – uma ação fundamental, mas insuficiente, na medida em que corremos o risco de manter o cânone intacto. O livro de Jürgen Habermas sobre a esfera pública burguesa é uma das obras canônicas mais citadas e discutidas nos Estudos da Mídia e da Comunicação. A partir do caso das cafeterias e dos jornais de Londres, este artigo defende um gesto de re-engajamento crítico com pensadores canônicos. Aborda-se como o surgimento de uma esfera pública burguesa na Inglaterra dos séculos XVII e XVIII pode ser vista por meio de uma releitura situada no contexto da escravidão e do tráfico de pessoas escravizadas. Evidencia-se que a raça não oferece meramente um outro “prisma” para examinar a esfera pública burguesa – ao contrário, a raça é aquilo que viabiliza sua existência e é constitutiva dessa esfera pública. A reprodução de silêncios canônicos por meio da continuidade da circulação de obras influentes traz certas implicações para os modos como conceituamos públicos racializados na contemporaneidade.
| Item Type | Article |
|---|---|
| Copyright holders | © 2024 The Author(s) |
| Departments | LSE > Academic Departments > Media and Communications |
| DOI | 10.30962/ecomps.3116 |
| Date Deposited | 17 Jan 2025 |
| Acceptance Date | 01 Jan 2021 |
| URI | https://researchonline.lse.ac.uk/id/eprint/126914 |
